segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Dois poemas os quais gosto muito! Cecília Meireles ...
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Canção
Pus meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e meu navio chegue ao fundo
e meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas coordenadas,
meus olhos secos como pedras
e minhas duas mãos quebradas.
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Canção
Pus meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e meu navio chegue ao fundo
e meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas coordenadas,
meus olhos secos como pedras
e minhas duas mãos quebradas.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
*
Lembre-se do meu afago
Quando quiseres veracidade, lembre-se do meu carinho
Se estiveres sozinho, reviva as lembranças
Se saudade sentir, esqueça-se da distância
Busque, eu sempre estarei por perto
Minha presença pode nem ser notada
Pode nem ser sentida
Pode até ser esquecida
Mas eu sempre estarei por perto
Mais forte que o toque
Mais real que a carne
Mais importante que um olhar
É a simplicidade do meu lirismo ingênuo
Do meu sentimento devastado
Da minha saudade absurda
E do meu amor inacabado.
Lembre-se do meu afago
Quando quiseres veracidade, lembre-se do meu carinho
Se estiveres sozinho, reviva as lembranças
Se saudade sentir, esqueça-se da distância
Busque, eu sempre estarei por perto
Minha presença pode nem ser notada
Pode nem ser sentida
Pode até ser esquecida
Mas eu sempre estarei por perto
Mais forte que o toque
Mais real que a carne
Mais importante que um olhar
É a simplicidade do meu lirismo ingênuo
Do meu sentimento devastado
Da minha saudade absurda
E do meu amor inacabado.
Assinar:
Comentários (Atom)